Candidíase masculina: sintomas, causas e tratamento
Escrito por Dr. Matheus Souza de Aguiar · Médico Cirurgião Geral · CRM-MG 80.855

Candidíase costuma ser tratada como assunto de mulher, e é justamente por isso que tanto homem demora a identificar. A infecção pelo fungo Candida, quase sempre a espécie Candida albicans, aparece em homem com regularidade. E costuma ser confundida com irritação simples, alergia a preservativo ou assadura.
Quando pega a glande, o quadro se chama balanite. Quando pega também a pele que a cobre, balanopostite. Aqui eu explico como reconhecer, o que realmente causa, como é o tratamento e, o que mais importa para quem já teve, o que fazer para não repetir.
Os sintomas
O quadro típico junta vermelhidão na glande com coceira e sensação de ardência. A pele fica com aspecto brilhante, às vezes com manchinhas ou placas esbranquiçadas que lembram leite talhado, e pode descamar fino. Muita gente sente desconforto ou dor para urinar e durante a relação, além de um inchaço leve na pele que cobre a glande. Em alguns casos aparece um cheiro discreto e uma secreção esbranquiçada acumulada por baixo dessa pele.
Um detalhe sobre quem é circuncidado
Homem circuncidado tem risco bem menor, porque a região fica mais ventilada e não acumula umidade embaixo da pele que cobre a glande. Isso não quer dizer imunidade: acontece, principalmente em quem tem diabetes. Mas costuma ser menos frequente e voltar menos.
Por que o fungo passa de convidado a problema
A Candida faz parte da flora natural do corpo e convive com a pele sem causar nada. O problema aparece quando alguma coisa quebra esse equilíbrio e ela se multiplica demais. Os gatilhos mais comuns são: umidade presa embaixo da pele que cobre a glande; higiene mal feita ou, no extremo oposto, higiene demais com produto agressivo, que destrói a proteção natural da pele; antibiótico recente, que reduz as bactérias que seguravam o fungo; diabetes, principalmente fora de controle, porque o excesso de açúcar alimenta o fungo; imunidade baixa por doença, medicação ou estresse; e contato sexual com parceira com candidíase ativa.
A ligação com o diabetes que todo homem deveria conhecer
Esta é a informação mais útil deste texto: candidíase genital que volta sempre, em homem, é um sinal clássico de diabetes sem diagnóstico ou mal controlado. O excesso de açúcar no sangue chega à urina e às secreções e cria um ambiente doce, do jeito que o fungo gosta. Não é raro o diabetes ser descoberto a partir de episódios repetidos de balanite. Se você teve mais de dois episódios em um ano, medir a glicemia não é excesso de zelo. É o que se deve fazer.
É uma infecção sexualmente transmissível?
Não entra na lista das ISTs, porque o fungo já mora no corpo e a maioria dos casos aparece sem nenhuma relação com contato sexual. Dito isso, dá para transmitir durante a relação quando um dos dois está com infecção ativa. Por isso, em casos que se repetem, faz sentido que a parceira também seja avaliada. Não é questão de culpa, é para cortar um possível vaivém de reinfecção.
Como é feito o diagnóstico
Na maioria das vezes o médico reconhece o padrão só de examinar a região. Em casos duvidosos, que voltam sempre ou que não responderam ao primeiro tratamento, dá para pedir um exame micológico direto ou uma cultura, que identifica a espécie do fungo. Em quem tem episódios repetidos, é comum e recomendável investigar a glicemia de jejum ou a hemoglobina glicada.
O tratamento
É antifúngico, e precisa de receita. Na maior parte dos casos um creme antifúngico por sete a quatorze dias resolve. Quadro extenso, que volta sempre ou em quem tem imunidade baixa pode pedir antifúngico por via oral, em dose única ou por mais tempo, conforme a avaliação. Dois erros são comuns e custam caro: parar o tratamento assim que o sintoma some, o que faz voltar; e usar pomada com corticoide por conta própria, que alivia a coceira no começo e piora a infecção, porque derruba a defesa local.
O que não trata candidíase
Hidratante nenhum, sabonete íntimo nenhum, cosmético nenhum cura candidíase. Eles têm papel na higiene e na saúde da pele, mas não eliminam o fungo. Se um produto promete tratar infecção por fungo sem ser antifúngico, desconfie. E com sintoma, procure avaliação em vez de ficar testando solução.
Cuidados que ajudam durante o tratamento
Mantenha a região limpa e seca. Lave todo dia com água morna e sabonete suave, puxando a pele que cobre a glande com delicadeza para limpar e, principalmente, para secar. Deixe de lado o sabonete comum, o produto perfumado e o lenço com álcool, que agridem uma pele já inflamada. Use cueca de algodão e troque todo dia. Evite relação até melhorar, pelo desconforto e pelo risco de transmitir. E, se você tem diabetes, controlar a glicemia faz parte do tratamento, não é um conselho à parte.
Como reduzir a chance de repetir
Curado o episódio, o objetivo passa a ser evitar o próximo. A base é simples: higiene diária suave, sem exagero e sem produto agressivo; secagem cuidadosa da região antes de vestir a roupa, inclusive embaixo da pele que cobre a glande; cueca de algodão; glicemia bem controlada em quem tem diabetes; e pele saudável, sem ressecamento e sem rachadura, porque pele inteira resiste melhor. Um hidratante próprio para a região, com acidez compatível e toque seco, ajuda nesse último ponto. Não como tratamento, e sim como parte da rotina que mantém a pele em ordem entre um episódio e outro.
Quando procurar o médico
Procure um urologista diante de vermelhidão, coceira ou ardência que não passam na glande, de placas esbranquiçadas, de dor para urinar, de secreção ou de cheiro forte. Vá com prioridade se os episódios se repetem, se você tem diabetes ou imunidade baixa, se houver febre, inchaço grande ou dificuldade para puxar a pele que cobre a glande, ou se o quadro não melhorou depois do primeiro tratamento. Balanite de repetição sem tratar pode levar a fimose, e é sempre um bom motivo para investigar o que está por trás.
Perguntas frequentes
Como saber se tenho candidíase masculina?
Os sinais mais comuns são vermelhidão na glande, coceira, ardência, pele com aspecto brilhante e, muitas vezes, placas esbranquiçadas que lembram leite talhado. Pode incomodar para urinar ou durante a relação, e a pele que cobre a glande pode inchar um pouco. Como outros problemas dão sintoma parecido, quem confirma é o urologista, quase sempre só pelo exame.
Qual o tratamento para candidíase masculina?
É antifúngico receitado por médico. Na maioria dos casos, um creme antifúngico por sete a quatorze dias. Casos extensos, que voltam sempre ou em quem tem imunidade baixa podem pedir antifúngico por via oral. Complete o período indicado mesmo depois que o sintoma sumir, e não use pomada de corticoide por conta própria, porque ela pode piorar a infecção.
Candidíase masculina é DST?
Não entra na classificação de infecção sexualmente transmissível, porque o fungo Candida já mora no corpo e a maioria dos casos aparece sem relação com contato sexual. Ainda assim dá para transmitir quando um dos parceiros está com infecção ativa, e em casos que se repetem faz sentido a parceira também ser avaliada, para cortar o vaivém de reinfecção.
Candidíase masculina pode ser sinal de diabetes?
Pode, e essa ligação importa muito. Episódios repetidos de candidíase genital em homem são um sinal clássico de diabetes sem diagnóstico ou mal controlado, porque o excesso de açúcar favorece a multiplicação do fungo. Se você teve mais de dois episódios em um ano, vale medir a glicemia de jejum ou a hemoglobina glicada.
Hidratante íntimo trata candidíase?
Não. Hidratante e sabonete nenhum curam candidíase, porque a infecção pede antifúngico. O papel de um hidratante próprio para a região é outro: manter a pele saudável e sem rachadura, o que deixa a região menos vulnerável entre os episódios. Durante a infecção ativa, o tratamento é com remédio receitado.
Quanto tempo demora para curar?
Com o tratamento certo, os sintomas costumam melhorar em poucos dias e o quadro se resolve em uma a duas semanas. Mas melhorar rápido não autoriza parar o antifúngico antes do prazo: parar cedo é uma das maiores causas de o problema voltar. Se não melhorar depois do período de tratamento, é preciso rever o diagnóstico.
Experimente o Hidratto
O único hidratante íntimo masculino desenvolvido com ciência, aprovado pela ANVISA e formulado para a fisiologia da pele íntima masculina.
